CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1055
O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio.
§ 1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade.

§ 2º É vedada contribuição que consista em prestação de serviços.


 
 
 
Resumo Jurídico

Artigo 1055 do Código Civil: O Coração do Contrato Social

O artigo 1055 do Código Civil é fundamental para a compreensão do que constitui um contrato social, a base de toda sociedade empresária. Ele estabelece os requisitos essenciais para a sua validade, garantindo que a constituição de uma empresa seja feita de forma segura e transparente para todos os envolvidos e para terceiros.

De forma clara e educativa, este artigo determina que o contrato social deve conter, no mínimo, as seguintes informações:

  • Qualificação dos sócios: É indispensável identificar quem são os participantes da sociedade. Isso inclui o nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, número de RG e CPF, e endereço residencial de cada um dos sócios. Essa identificação é crucial para a segurança jurídica e para saber quem são os responsáveis pelos atos da empresa.

  • Denominação e sede da sociedade: A empresa precisa ter um nome (denominação social) que a identifique no mercado e que não seja igual ou semelhante a outra já existente no mesmo ramo de atividade. Além disso, é necessário definir o endereço da sede principal da sociedade, ou seja, onde ela estará localizada fisicamente e de onde suas atividades serão coordenadas.

  • Objeto social: Esta é uma das partes mais importantes do contrato. O objeto social descreve de forma detalhada as atividades que a sociedade se propõe a realizar. Ou seja, qual é o ramo de negócio da empresa? É fundamental que essa descrição seja clara e específica para evitar dúvidas sobre o escopo das operações e para orientar a atuação dos sócios e a fiscalização por órgãos competentes.

  • Capital da sociedade: Refere-se ao valor total que os sócios se comprometem a investir na empresa. Esse capital pode ser em dinheiro, bens ou direitos. É importante definir o montante total e a forma como cada sócio contribuirá para esse capital.

  • Participação de cada sócio no capital: Com o capital total definido, o contrato social deve especificar quanto cada sócio está aportando para a formação desse capital. Isso determinará a sua participação nos lucros e nas perdas da sociedade.

  • Prazo de duração da sociedade: O contrato social pode determinar se a sociedade terá um prazo de duração determinado ou se será por tempo indeterminado. Se for determinado, o contrato deve estabelecer a data de término.

  • Valor da quota de cada sócio e a forma de realização: Cada parte do capital social pertencente a um sócio é chamada de quota. O contrato deve indicar o valor de cada quota e como essa contribuição será efetivada (por exemplo, se será em dinheiro à vista, a prazo, ou através da entrega de bens).

  • A quota mínima de cada um dos sócios no desfalque, se houver: Em caso de prejuízos ou liquidação da empresa, pode haver um "desfalque", ou seja, uma situação em que o patrimônio da sociedade não é suficiente para cobrir suas dívidas. Essa cláusula estabelece a responsabilidade de cada sócio em cobrir parte desses prejuízos, proporcionalmente à sua participação no capital social.

  • As pessoas que administrarão a sociedade e os seus poderes: O contrato social designa quais sócios (ou até mesmo um terceiro) terão a responsabilidade de administrar a sociedade. Além disso, é crucial definir os poderes e limites de atuação desses administradores, garantindo que suas ações estejam alinhadas com os interesses da sociedade.

Em suma, o artigo 1055 do Código Civil age como um "manual de instruções" para a criação de uma sociedade empresária. Ao detalhar esses requisitos, ele visa trazer segurança jurídica, clareza nas relações entre os sócios e transparência para o funcionamento da empresa perante terceiros. O cumprimento dessas exigências é indispensável para que o contrato social seja considerado válido e eficaz.